quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Funcionária espiada pelo chefe no banheiro é indenizada em R$ 10 mil: ‘Valor humilhante’


Márcia Dutra era espiada pelo chefe de seu setor de trabalho quando ia trocar de roupa no vestiário
Foto: Extra / Foto do Leitor / Via WhatsApp

Ser a única mulher dentro de uma fábrica já era um desafio e tanto para a mineira Márcia Aparecida Dutra, de 45 anos, mas ela não imaginava que teria que passar pelo constrangimento de ser espiada dentro do próprio local de trabalho. Funcionária do Grupo Tradimaq, empresa especializada na locação de empilhadeiras, há três anos, Márcia reparou que era sempre observada quando ia trocar de roupa no vestiário da fábrica, que não tinha banheiros para mulheres. Nesta terça-feira, a juíza Cláudia Eunice Rodrigues, da 4ª Vara do Trabalho de Betim, em Minas Gerais, decidiu condenar a empresa a pagar uma indenização de R$ 10 mil reais à empregada, que não ficou satisfeita com a decisão.

— Não achei um valor justo, diante de todo o constrangimento que eu passei. Foi muito grande. Tive que fazer terapia, tomar medicamento para controlar a ansiedade. Foi muito difícil, não tinha como eu trabalhar lá depois de tudo o que aconteceu. Vou recorrer da decisão. Pelo dano pessoal moral que tive, o valor é pouco e mais humilhante ainda — explica.

Márcia explica que reparou que era observada ao perceber furos nas paredes do contêiner que servia de vestiário para os funcionários da fábrica. Desconfiada, um dia ela decidiu checar e flagrou um companheiro de trabalho — o chefe de sua equipe — vendo-a trocar de roupa.

— Era um contêiner feito de alumínio que servia de vestiário para todo mundo. Eu era a única mulher. Quando eu ia me trocar, reparava que havia uns furos na parede. Aparecia o furo e eu tampava. No dia seguinte, aparecia outro. Até que teve um dia em que eu estava trocando de roupa e, quando olhei, tinha uma pessoa me olhando por um buraco desses — relata a mineira, que conta que ainda ouviu uma piada de mau gosto do colega: — Eu disse: “Nunca viu mulher na vida? E ele ainda falou: “O que é bonito é pra ser visto”. Ficou impossível continuar na empresa depois disso.
Tradimaq é uma empresa especializada na locação de empilhadeiras
Tradimaq é uma empresa especializada na locação de empilhadeiras Foto: Divulgação
Após o incidente, Márcia conta que foi trocada de setor várias vezes, mas não conseguia se concentrar no trabalho. Foi quando decidiu entrar na Justiça contra a empresa.

— Todo mundo ficava olhando para mim com cara esquisita, dando sorrisinho. Eu não tinha mais lugar para trabalhar ali. Eu fiquei com muita vergonha. Então a advogada me orientou a entrar na Justiça — explica.

Após tomar a decisão de acionar a empresa judicialmente, Márcia conta que foi colocada de lado pelo chefe e não era mais escalada normalmente como os outros funcionários.

— Ele me tratava de maneira indiferente. Me deixava de reserva do reserva. Não me colocava para trabalhar e eu ficava o dia inteiro sem fazer nada, sentada perto da sala dele — relata.

Na decisão, a juíza considerou que a postura do funcionário que foi flagrado espiando Márcia é totalmente incompatível com a que se espera de um líder. “Tenho para mim como suficientemente comprovado o fato de que havia uma conduta inadequada por parte do líder da equipe quanto à pessoa da reclamante, sobretudo ao espiá-la enquanto ela estava no vestiário trocando de roupa, o que demonstra erro de conduta quanto ao exercício do poder diretivo, que se mostrou nitidamente abusivo e em desrespeito à intimidade e dignidade da pessoa da reclamante”, registrou a magistrada na sentença.

Procurada pelo EXTRA, a Tradimaq não se pronunciou sobre o assunto até a última atualização desta reportagem. A empresa ainda pode recorrer da decisão judicial.

Fonte: Extra


http://extra.globo.com/noticias/brasil/funcionaria-espiada-pelo-chefe-no-banheiro-indenizada-em-10-mil-valor-humilhante-15234401.html

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