quarta-feira, 18 de abril de 2018

'Graduação bem feita e dedicada': superação marca aprovação no exame da OAB



O historiador e agora advogado, Euler Rui Barbosa Tavares, de 43 anos, foi exemplo de superação na entrega das identidades profissionais na manhã desta quinta-feira, no Auditório da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Tocantins (OAB-TO). Ele perdeu completamente a visão em 1997, após um acidente doméstico e, desde então, vem se superando a cada objetivo que traça em sua vida.

Natural de Paranã, na região sudeste do Tocantins, Rui Barbosa explica que a caminhada não foi fácil por ter vindo de família pobre, mas que, “graças à Deus, consegui concluir o curso de direito e passar na OAB. Se isso já é um desafio para uma pessoa com suas faculdades visuais intactas, imagina para quem é cego total?!”, destaca ressaltando ter passado no exame da ordem na primeira tentativa.

“Fiz uma graduação bem feita e dedicada, os professores também entenderam a importância da inclusão e contribuíram para que eu fosse incluído no processo de aprendizagem e, consequentemente, que eu tivesse essa aprovação na OAB”, reconhece, mas destaca que houve docentes que dificultaram sua vida na academia: “tinha um ou outro que eram mais tradicionais, conservadores, que dificultavam as coisas, mas aos poucos vamos conseguimos vencer as dificuldades”.

Professor no Instituto Federal do Tocantins (IFTO) e funcionário público lotado na Secretaria Municipal de Educação (Semed), ele explica que a sua segunda graduação foi um pouco menos penosa que a primeira devido à tecnologia. “A primeira graduação foi feita toda em braile. Já na segunda graduação conseguiu fazer todo o curso com material digital. A tecnologia facilita muito. Tive dificuldade, mas não tanto quanto o primeiro. O braile é mais extenso, ele te cansa. Mas o curso de Direito exige mais no sentido de ter mais leitura de livros extensos”.


Oportunidades



Rui Barbosa reconhece que teve oportunidades, mas afirma não se tratar de condição financeira. “Nem todas as pessoas com deficiência tem o acesso que tive por questão de cultura, oportunidade, conscientização e politização”, enumera. Ele relata ser o único deficiente visual em Palmas que anda com bengala, enquanto outros dependem de uma terceira pessoa. “O que me entristece é saber quantas pessoas precisam e querem ter a sua autonomia e independência, e não tem por falta de oportunidade. A exclusão, o preconceito, a discriminação e a desigualdade ainda são muito presentes na nossa sociedade”

Porém Rui Barbosa acredita que, com o caminho trilhado, ele possa se tornar um exemplo positivo para os demais. “Tem que sonhar, galgar esse sonho e correr atrás, mas a sociedade como um todo tem que oportunizar isso porque infelizmente encontramos muitas barreiras pelo caminho: arquitetônicas, no meio comunicacional, nas tecnologias devido o alto custo; e  a nossa barreira maior é a atitudinal, que está na conduta, no comportamento das pessoas”, finaliza.

Euler Rui Barbosa Tavares pretende atuar nas áreas previdenciária, cível e trabalhista.
Fonte: Amo Direito 





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